
Sempre que passo nesse pedaço da Paulista, entre Gazeta e Al. Campinas, observo o memorial à ciclista atropelada na avenida. Antes era uma linda bicicleta branca decorada com flores e uma faixa pendurada lembrava o nome de Márcia e a saudade da família. Não sabia nada sobre ela, tampouco a data da sua morte na Paulista. Pesquisei e descobri esse site que informa como Márcia perdeu a vida e como os ciclistas ainda são invisíveis nas ruas. Fiz essa foto nessa semana, e conforme seu memorial é retirado do canteiro, algum amigo ou familiar o ergue novamente, dessa vez mais simples, porém com a mesma força na mensagem. Márcia vive! Vive em todos outros ciclistas que correm riscos diarimente mas, que resistem e pedalam pela cidade.
Desde o ano passado, quando Márcia morreu, a presença de ciclo-faixas ainda é mínima na cidade. Apenas em alguns percursos e horários os ciclistas contam com a ciclo-faixa.
Prá saber mais: http://www.ciclofaixa.com.br/blog/
Segue a notícia e as informações sobre Márcia, do site Centro de Mídia Independente e do Estadão:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/01/437827.shtml
Márcia Regina de Andrade Prado, 40, faleceu nessa quarta-feira, dia 14 de janeiro (2009), ao ser atropelada por um ônibus enquanto pedalava na Av. Paulista. Participante da bicicletada paulistana, ela era uma das signatárias do Manifesto dos Invisíveis, no qual ciclistas afirmam que o que falta não são ciclovias, mas o entendimento de que os ciclistas também são parte do trânsito e que devem ter suas vidas respeitadas:
"As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos (...) Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas".
Márcia pedalava na faixa da direita, destinada aos veículos mais lentos, na altura da Fundação Cásper Líbero. O motorista do ônibus, Mario José de Oliveira, 53, relatou à imprensa que "não teve culpa pelo acidente" e que tinha a sua "consciência tranqüila". Segundo o código de trânsito, os motoristas devem manter 1,5 metro de distância do ciclista, por todos os lados. Se esta lei houvesse sido respeitada, Márcia ainda estaria entre nós. Em 2006, ano do último levantamento publicado pela CET, 85 ciclistas morreram no trânsito em São Paulo.
Nós do Centro de Mídia Independente lamentamos profundamente a morte de Márcia e manifestamos solidariedade a todos e todas ciclistas. Por uma cidade onde as ruas sejam de todos - ciclistas, pedestres, catadores, cadeirantes, skatistas, carrinhos de bebê etc. - e não apenas dos veículos motorizados!
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,apos-morte-de-ciclista-movimento-faz-ato-na-avenida-paulista,307645,0.htm
Ela sempre usava a bicicleta para ir de casa, no bairro do Ipiranga, na zona sul, até a residência dos clientes. Márcia pedalava na altura do número 1.150 da Paulista, sentido Consolação, quando perdeu o controle e caiu no asfalto. A roda traseira de um ônibus passou por cima de sua cabeça. Márcia morreu na hora - só às 16h15 foi possível liberar totalmente a avenida. A massagista é mais uma vítima da guerra diária que envolve motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas. Todos os dias, o trânsito de São Paulo mata em média 4,3 pessoas e fere com alguma gravidade pelo menos outras 72 - uma "epidemia" que faz mais vítimas fatais que aids, insuficiência cardíaca e tuberculose, conforme revelou o Estado em setembro.
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